
Nunca pensei que morar em outro país, fosse tão burocrático (pelo menos na França é assim!). A escolha aconteceu depois que conheci o “mon amour”, em 2008 no Caribe, onde a nossa história começou. Então decidimos morar juntos, depois de tantas idas e vindas dele no Brasil. O critério escolhido, não foi apenas pela França ser um país “desenvolvido”, também pelo fato do mon amour ter um emprego estável, eu não (pensei: “não tenho nada a perder”) e muitos outros motivos.
No início de 2009, fiz uma visitinha à França, pra conhecer a família, os costumes, a cidade, o ambiente, etc...e assim poderia tomar uma decisão mais certa. Só que a princípio minha visão foi de turista (tudo lindo, perfeito e sem problemas), depois tive que encarar as barreiras que me foram impostas pra se viver aqui.
Existem boas maneiras para se viver legalmente em um país, com os seguintes vistos: estudante (pra mim só se fosse um mestrado em biotecnologia, mas antes teria que fazer um exame de proficiência em francês e este ainda está limitado no bonjour), trabalho (como acabei de dizer, meu francês é zero), casamento (mas isso não é coisa pra se resolver do dia para noite, além de tudo requer planejamento e sem contar que a burocracia é muito maior). Resolvemos oficializar nosso relacionamento com o PACS (um pouco menos complicado), apesar de não ter dado direito de solicitar rapidamente a desejada Carte de long sejour, é aí que começa a saga pela bendita. Voltei para o Brasil para solicitar o visto na embaixada, mas para isso teríamos que comprovar que nosso relacionamento já durava a 1 ano (é mole? Ter que reunir fotos, documentos, carimbos de entradas e saídas no passaporte e tudo mais que comprove que nosso amor não é uma farsa), pagar mais algumas taxas de envio do consulado para a embaixada (99 euros), sem contar que depois de aceito tive que ir até Brasília (morava em Belém)para buscar o passaporte e tirar uma foto pra colar na folha do visto (aproximadamente 250 euros a mais de despesas). E não pára por aqui, ainda fui informada que na minha chegada à França, teria que passar por outro processo de aceitação (exame médico e mais 300 euros). Voilá! Depois de tudo feito recebi a carte de long sejour, mas com um detalhe muito desagradável, o primeiro ano sem poder trabalhar ou exercer qualquer atividade lucrativa aqui (não entendi a lerdice feita pelas administrações, que colocaram minha estadia aqui como visiteur, depois de ter comprovado que meu pedido era pra vida em conjunto). Sendo assim, ainda enfrentarei novas burocracias para mudar de tipo de visa. Santa paciência!